Saúde

Massafera não descarta novos testes com a fosfoetanolamina

MASSAFERA FOSFO (1)

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Fosfoetanolamina, Roberto Massafera, não descarta a possibilidade da CPI propor a realização de novos testes clínicos com a substância também conhecida como pílula anticâncer. A substância pode ser uma alternativa acessível contra o câncer mas, até que seja liberada como medicamento, ela precisa comprovar sua eficácia terapêutica em rigorosos testes clínicos.

“Nossa função é fiscalizar onde o Estado aplicou o dinheiro. Nós vamos apurar se a pesquisa (realizada pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – ICESP) foi bem-feita. Se não foi, vamos querer que ela seja feita de novo”, observou o deputado estadual e líder do PSDB na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Essa semana a CPI colheu o depoimento do químico da USP de São Carlos, Salvador Claro Neto. Sua missão foi garantir a qualidade da produção das pílulas utilizadas na pesquisa do ICESP. “O que saiu de dentro da empresa PDT (laboratório PDT Pharma) passava por um laudo técnico e depois era enviado.”

A CPI também ouviu o gerente do Núcleo de Pesquisa do ICESP, Roberto Jun Arai. Ele afirmou que sua atuação se limitava ao apoio operacional e administrativo. Embora não tenha acesso aos dados técnicos, ele reconheceu que “se há margem de dúvidas (sobre a pesquisa), ela precisa ser sanada”, e acrescentou: “não existem dúvidas da minha parte”.

Na avaliação de Roberto Massafera, houve falhas na pesquisa. “O produto foi fabricado com qualidade mas, a partir do momento que foi encapsulado e distribuído aos pacientes, não houve controle. Isso já consideramos uma falha.”

O presidente da CPI defende que o tratamento tradicional de câncer é caro e inacessível, além de comumente provocar fortes efeitos colaterais. “Se a fosfoetanolamina funcionar, é um tratamento barato. Tem pessoas que não reagem à fosfoetanolamina. Cada pessoa é um universo diferente. Mas o que queremos é que se tenha oportunidade de testar algo a mais”.

 Testes – O ICESP foi responsável por testar a eficácia da fosfoetanolamina no tratamento do câncer. Os testes financiados pela secretaria de Estado da Saúde, entretanto, foram suspensos antecipadamente em março deste ano. Segundo os protocolos acordados, a pesquisa utilizaria 210 pacientes de diferentes tipos de tumores, mas apenas 73 foram submetidos ao tratamento.

Depoimentos coletados até o momento pela CPI apontam que os testes apresentaram falhas no cumprimento do protocolo de pesquisa estabelecido junto a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O ICESP não teria realizado estudos formacocinéticos para entender o metabolismo da substância no organismo, o que ajudaria a determinaria a dosagem correta para cada tumor.

Auditores externos da pesquisa como o imunologista Durvanei Augusto Maria, que também é pesquisador do Instituto Butantan; e Bernadete Cioffi, relataram cerceamento no acesso aos dados durante o andamento dos testes clínicos. (*Com informações de Elaine Patrícia Cruz – Agência Brasil)

Texto*: Douglas Braz

Foto: Raphael Montanaro

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